Liderança: Chamado, Competência ou Vaidade?

Quando a Liderança é Romantizada

🌱 “Alguns acreditam que nascem líderes, outros estudam para ser. Mas e se muitos estiverem apenas interpretando um papel?”

Vivemos uma era em que a palavra “liderança” é usada com uma frequência quase mística. É tema de livros best-sellers, palestras motivacionais e cursos corporativos. Mas, em meio a essa efervescência, surge um dilema: será que a liderança está sendo compreendida em sua verdadeira essência ou está sendo reduzida a um título simbólico? Pior, será que está sendo confundida com carisma, vaidade ou simplesmente com um cargo?

Essa reflexão é urgente, especialmente em ambientes de alta complexidade como hospitais, onde a liderança não é uma performance — é um fator de vida ou morte, cultura ou caos, inovação ou estagnação.


O Mito do “Chamado”: A Liderança como Destino

🌀 “Você nasceu para liderar!” — Essa frase, tão comum, carrega uma armadilha silenciosa.

A ideia do “chamado para liderar” é sedutora. Ela sugere que a liderança é quase espiritual — uma vocação superior, inata, imutável. Essa visão romantizada tem raízes profundas em histórias bíblicas, mitologias e biografias heroicas. Moisés liderando o povo, Mandela desafiando um sistema brutal, ou Steve Jobs revolucionando a tecnologia — são narrativas que pintam o líder como um ser predestinado.

🔍 No entanto, essa concepção apresenta problemas práticos:

  • Desencoraja o desenvolvimento de líderes “comuns”;
  • Cria uma elite de “escolhidos” que se consideram inalcançáveis;
  • Desconecta a liderança da responsabilidade e da técnica.

👁️‍🗨️ A consequência? Pessoas que, ao invés de servirem e influenciarem, querem ser seguidas porque “foram chamadas”. A liderança deixa de ser serviço e vira culto à personalidade.


O “Alecrim Dourado”: A Armadilha Narcísica da Liderança

🌼 “Alecrim dourado que nasceu no campo sem ser semeado…” — E o ego, cresceu com ele.”

Quando a liderança é vista como um certificado simbólico de superioridade, ela se torna palco para vaidades disfarçadas de missão. O líder se vê como alguém especial, quase sagrado, que não pode ser questionado.

💡 Essa visão cria os “líderes-coroa”: figuras que se autocelebram, que colecionam prêmios, mas evitam feedbacks reais, se cercam de bajuladores e eliminam qualquer forma de confronto construtivo. São líderes que brilham no palco, mas apagam a equipe nos bastidores.

🎭 Nessa lógica, o líder se torna o centro de tudo: da narrativa institucional, das decisões e até das culpas dos fracassos alheios. A organização vira uma extensão do ego desse “alecrim dourado”.


Liderança como Competência: A Perspectiva Madura

🔧 “Liderança não é talento, é competência. Não é palco, é trincheira. Não é brilho, é legado.”

Ao contrário das visões místicas ou vaidosas, a liderança contemporânea — especialmente no século XXI — é compreendida como uma competência complexa, integradora, relacional e contínua.

Essa perspectiva está fundamentada em pilares objetivos:

  • Autoconsciência: o líder conhece suas forças, fraquezas, gatilhos emocionais e padrões de pensamento;
  • Influência relacional: não comanda, mas inspira, escuta, negocia e influencia com empatia;
  • Accountability: é responsável pelos resultados e pelas pessoas;
  • Aprendizado contínuo: nunca “chega lá”, está sempre em formação;
  • Capacidade de execução estratégica: transforma visão em prática, sonho em sistema.

📘 Modelos como o Leadership Circle Profile, o framework da Harvard sobre Adaptive Leadership e até abordagens ágeis (como Management 3.0) reforçam essa visão: liderança é habilidade cultivada, não troféu herdado.


Liderança na Saúde: Muito Além do Cargo

🏥 “No hospital, cada decisão de liderança tem implicações que ultrapassam planilhas: afetam vidas.”

No contexto hospitalar — e, mais especificamente, em instituições pediátricas de alta complexidade — a liderança é mais do que estratégica: é ética, emocional, clínica e política ao mesmo tempo.

🎯 Um CIO, um diretor clínico ou um gestor de enfermagem precisa liderar em múltiplas camadas:

  • Com a equipe multiprofissional;
  • Com os pacientes e famílias;
  • Com as diretorias e conselhos;
  • Com os sistemas regulatórios;
  • Com a inovação e a cultura organizacional.

⚠️ Nessa realidade, um “líder alecrim” que se acha “escolhido” por dom divino é um risco. A liderança real exige escuta ativa, capacidade de negociação, resiliência emocional e humildade para mudar de rumo quando necessário.


Exemplos Práticos: Diagnóstico de Falsas Lideranças

🔎 “Nem todo chefe é líder. Nem todo líder é chefe. E alguns são só bons de discurso.”

Aqui vão alguns exemplos reais — e perigosos — do mal-entendimento da liderança:

  1. O Visionário Narcisista: tem grandes ideias, mas ignora as pessoas. Resultado? Clima tóxico e fuga de talentos.
  2. O Gestor Técnico Intocável: domina os processos, mas despreza os vínculos. Resultado? Execução fria, sem cultura.
  3. O Líder-Bunker: se protege atrás de cargos e burocracias. Resultado? Lentidão decisória e zero inovação.
  4. O Herói Solitário: faz tudo sozinho, julga ser mais capaz que todos. Resultado? Equipe infantilizada e sem autonomia.

📉 Todos esses “líderes” compartilham algo: não entendem que liderar é libertar o potencial dos outros — não colocar todos sob sua sombra.


Liderança como Serviço e Sistema

🚰 “Liderar é servir. E servir é construir sistemas que funcionam sem depender de você.”

Os verdadeiros líderes não constroem feudos, constroem sistemas. Eles:

  • Criam redes de confiança;
  • Formam novos líderes constantemente;
  • Dão clareza de propósito;
  • Estabelecem rituais de feedback;
  • Cultivam culturas de aprendizagem e experimentação.

🏗️ Eles entendem que a melhor métrica de um líder é o desempenho de sua equipe quando ele não está presente.


Conclusão: Liderança é Responsabilidade e Processo

🧭 “Liderar é fazer o que precisa ser feito, mesmo quando ninguém está olhando. É agir, e não posar para foto.”

Precisamos, urgentemente, reconstruir a narrativa da liderança. Ela não é um chamado divino nem um selo de superioridade. É uma competência dura, relacional e responsável, que precisa ser cultivada com humildade, técnica e intenção.

💡 Se quisermos transformar a saúde (ou qualquer outra área), precisamos parar de premiar “alecrins dourados” e começar a formar líderes jardineiros: que cultivam, cuidam, adubam, aprendem com as estações e sabem que o jardim é sempre maior do que qualquer flor individual.


15 Perguntas Comuns sobre Liderança e suas Respostas

  1. Liderança é inata ou aprendida?
    É majoritariamente aprendida. Comportamentos de liderança podem ser desenvolvidos com prática, reflexão e feedback.
  2. Todo chefe é líder?
    Não. Liderança diz respeito à influência, não ao cargo.
  3. Carisma é essencial para liderar?
    Não. Carisma pode ajudar, mas empatia, escuta e consistência são mais importantes.
  4. Líder precisa ser sempre visionário?
    Não necessariamente. Bons líderes sabem executar e adaptar também.
  5. Líderes devem tomar todas as decisões?
    Não. Devem criar ambientes onde as melhores decisões emergem do coletivo.
  6. Liderança muda em tempos de crise?
    Sim. Em crises, a liderança precisa ser mais adaptativa, comunicativa e empática.
  7. Como saber se estou sendo um bom líder?
    Pergunte à sua equipe. Feedback contínuo é o termômetro.
  8. É possível liderar sem cargo?
    Sim. Influência, não hierarquia, define a liderança.
  9. Liderança feminina tem características diferentes?
    Há estilos distintos, mas a competência é humana, não de gênero.
  10. Um líder deve ser vulnerável?
    Sim. Vulnerabilidade gera confiança e conexão.
  11. Quais erros matam uma liderança?
    Arrogância, inconsistência, falta de escuta e centralização.
  12. Como desenvolver líderes na equipe?
    Dando autonomia, feedback, desafio e apoio.
  13. Liderança e coaching são a mesma coisa?
    Não, mas são complementares. Liderança pode usar ferramentas de coaching.
  14. Líderes precisam saber tudo?
    Não. Precisam saber formar times que saibam tudo.
  15. Liderança tem prazo de validade?
    Sim. Contextos mudam, e líderes precisam evoluir ou dar lugar a outros.

10 Pontos Relevantes do Artigo

  1. Liderança não é dom, é competência desenvolvível.
  2. A visão mística da liderança gera líderes ineficazes.
  3. O ego é o maior inimigo de uma liderança sustentável.
  4. Contextos complexos, como hospitais, exigem lideranças mais técnicas e humanas.
  5. O verdadeiro líder forma novos líderes.
  6. Liderar é influenciar, não comandar.
  7. Há perigos reais em promover “alecrins dourados”.
  8. A liderança contemporânea é sistêmica, não individualista.
  9. A cultura organizacional depende da qualidade da liderança.
  10. O impacto da liderança vai muito além de resultados financeiros.

15 Tópicos para Ampliar a Discussão

  1. Liderança regenerativa
  2. O papel da liderança na inovação em saúde
  3. Inteligência emocional aplicada à liderança
  4. Liderança ética em tempos de escassez
  5. Gestão de equipes autogeridas
  6. O impacto do líder na saúde mental da equipe
  7. Liderança em ambientes híbridos ou remotos
  8. Desenvolvimento de lideranças na base organizacional
  9. Vulnerabilidade e coragem no exercício da liderança
  10. Liderança em sistemas complexos adaptativos
  11. Liderança e diversidade
  12. Formação de líderes em instituições de saúde
  13. Mecanismos de accountability para líderes
  14. Liderança em cultura de alta performance
  15. O papel dos líderes na transformação digital hospitalar

15 Programas ou Projetos que Podem Ser Criados

  1. Escola de Liderança Hospitalar
  2. Mentoria Cruzada entre Lideranças Técnicas e Administrativas
  3. Programa de Feedback 360° para Diretores
  4. Laboratório de Liderança Adaptativa em Saúde
  5. Trilha de Formação de Líderes Jovens na Saúde
  6. Plataforma de Liderança por Competências
  7. Comitê Anti-Vaidade Institucional
  8. Jornadas de Autoconhecimento para Líderes Clínicos
  9. Hackathons de Cultura e Liderança
  10. Mapeamento de Lideranças Emergentes
  11. Ritual mensal de escuta ativa com a equipe de base
  12. Podcast interno com líderes contando aprendizados reais
  13. Sistema de sucessão e rotação de lideranças
  14. Framework de Liderança Antifrágil
  15. Prêmio de Liderança Coletiva (não individual)

Descubra mais sobre Era exponencial – Artigos sobre Tecnologia na Saúde Brasileira

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe um comentário

Tendência

Descubra mais sobre Era exponencial - Artigos sobre Tecnologia na Saúde Brasileira

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue lendo